A dádiva da esperança

31 maio
As vezes conversávamos sobre morte e esperança.
As grandes esperanças cristãs de vida eterna, ressurreição
e cura definitiva pareciam vazias, frageis e inconsistentes 
como fumaça quando se ficava próximo a marta.

Ela não queria asas de um anjo mas um braço que não caísse
para o lado, uma boca que não babasse e pulmões
que não entrassem em falência. Confesso que a eternidade mesmo
sem dor parecia estranhamente irrelevante para seu sofrimento.
Ela pensava sobre Deus é claro, mas dificilmente era com amor.
Resistiu a qualquer tipo de conversão no leito de morte, 
insistindo que somente buscaria a Deus um dia por amor,
e não por medo. 
E como ela poderia amar um Deus que fizera aquilo com ela? 

Quando seu corpo foi deteriorando ela finalmente decidiu 
que seria melhor perder os pulmões primeiro
,preferia morrer a ficar sem se comunicar,porem com a 
redução de oxigênio no cérebro Marta caia no sono
durante as conversas. Solicitou que pudesse passar suas 
2 ultimas semanas em seu apartamento para receber
os amigos e se despedir. O que seria um grande problema 
de logística e não poderia contar com a ajuda do
governo com os custos do serviço intensivo que precisaria para
se manter viva. Apenas um grupo de Chicago ofereceu ajuda
e atendimento personalizado através de 16 mulheres.

As 16 mulheres ficaram com Marta, ouviram seus devaneios
e reclamações, banharam-na, sentaram-na, alimentaram-na , 
transportaram, ficaram ao seu lado a noite para ouvir se estava
respirando, oraram por ela, se dedicaram, e com amor estavam 
sempre prontas a aplacar seus medos, lhe deram noção de lugar,
para que ela não se sentisse mais abandonada.Ofereceram sentido
ao seu sofrimento. Para Marta foram o corpo de Deus.

Aquelas mulheres lhe explicaram sobre a esperança cristã
e Marta finalmente vendo o amor de Deus encarnado 
na vida daquelas mulheres num momento onde o próprio Deus
parecia não lhe ter compaixão e ser cruel,buscou
Cristo, apresentou- se com fé a aquele que morreu por ela.
Não buscou a Deus por medo mas finalmente  descobriu seu amor.
Em um culto muito comovente prestou testemunho com o resto
de suas forças e foi batizada. Morreu na véspera do dia de 
ação de graças de 1983, com seu corpo enrugado, deformado,
atrofiado, numa imitação patética da beleza que tinha
anteriormente e quando finalmente parou de funcionar
Marta o abandonou. 

Hoje vive em triunfo num novo corpo e se não acreditarmos
nisso e se nossa esperança está  endurecida pela sofisticação 
e esquecimento e não nos permitimos oferecer essa verdadeira
esperança a um mundo convulso e agonizante,
então realmente somos como disse Paulo:
Os mais indignos de todos os homens!!!

Philip Yancey - Onde está Deus quando chega a dor? Pag.197

"Esperava encontrar um tratado teórico superficial indigno
de questões tão profundas mas não foi o que aconteceu.
Ao terminar a leitura desses capítulos seu coração gritará:
Obrigada Deus pelas dores!!! "

Paul Harvey sobre "Onde está Deus quando chega a dor?"
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